Maioria dos investidores prefere indicação a agir por conta própria

Consultorias apostam em orientações personalizadas para que aplicações estejam alinhadas com objetivos dos clientes

Para atrair o investidor brasileiro, instituições financeiras estão apostando em serviços que vão além da venda de produtos. Isso porque muitas pessoas querem que alguém lhes diga o que fazer, mas não necessariamente confiam na figura do gerente do banco. Como consequência, o dinheiro fica parado em aplicações desvantajosas, como a caderneta de poupança.

Uma pesquisa feita pela consultoria Frog para a Guide Investimentos identificou que o mercado de clientes de alta renda (com patrimônio entre R$ 100 mil e R$ 2,5 milhões) está dividido em quatro perfis diferentes: iniciantes, confortáveis, moderadores e proativos. Os primeiros são aqueles que têm uma curiosidade básica sobre investimentos, mas são inseguros e dependentes de indicações. Nessa categoria, está a maior parte dos clientes dos segmentos premium dos grandes bancos.

Segundo levantamento da Guide Life, o braço de planejamento financeiro de longo prazo da corretora, 75% dos investidores são classificados como iniciantes, enquanto outros 20% são moderadores, ou seja, pessoas engajadas que experimentam novas opções de investimento, mas querem aprender mais para “voar por conta própria”. Só 5% estão confortáveis (muito conservadores e céticos) e proativos (que fazem tudo sozinhos).

Para Vera Rita de Mello Ferreira, consultora de psicologia econômica e educação financeira, o comportamento faz parte da natureza do ser humano. “A gente quer sombra e água fresca, isso até na hora de batalhar pelos melhores resultados”.

Medo de arriscar
Ela diz que o brasileiro ainda convive com um mercado financeiro relativamente novo e um histórico de inflação alta, que o afasta mais ainda de uma postura ativa. “Viemos de gerações inexperientes, porque era muito arriscado investir. Antes, o melhor que você podia fazer com o dinheiro era comprar comida para não gastar mais depois.

O erro na abordagem pode ser, muitas vezes, o maior obstáculo para mudar mentalidades. “No lugar de bater na tecla de que investir é necessário, seria melhor apontar as consequências que isso trará no futuro, como perda de qualidade de vida na velhice”, afirma Ana Leoni, superintendente da área de educação financeira da Anbima. 

Fonte: Estadão Conteúdo

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